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24 de setembro de 2011

Entrevistando - Vanessa Bosso

Trago para vocês hoje uma entrevista com uma autora que eu adoro: Vanessa Bosso
Além de escritora e publicitária a Vanessa é blogueira, e está sempre presente nas redes sociais, impossível não se encantar por sua simpatia. Dois de seus livros já foram publicados - e resenhados aqui no blog, é só clicar no título - 2012: Uma ventura no fim do mundo pela Novo Século, e O Elemental pela Baraúna. E dois saem ainda este ano pela Dracaena, são eles: O imortal e Senhor do Amanhã (já estão nas minhas mãos, as capas são lindas *-*).
Redes sociais da Vanessa:


Vou começar com a pergunta mais clichê, mas que me deixa sempre curiosa rs... Quando você percebeu que queria ser escritora?
Vanessa: Eu sempre busquei algo que amasse fazer. E escrever sempre foi algo primordial na minha vida, quase cursei jornalismo por causa disso. Mas então, acabei me apaixonando pela publicidade. A vontade de escrever sempre existiu e todos os caminhos me levaram ao atual momento.

Mãe, esposa, publicitária e escritora, como você equilibra essas funções na sua rotina diária?
Vanessa: Putz, como é difícil! Mas mulher consegue se dividir em zilhões para dar conta de tudo. E assim vou levando, só no bambolê.

Como é o processo de criação dos seus livros? Você começa do início, ou é como alguns escritores que pensam primeiro no final, para só assim iniciar a história?
Vanessa: Depende do livro. Até agora eu só descobri o final dos meus livros no final mesmo. Mas sabe que você me deu uma ótima ideia! No próximo, vou tentar imaginar o final antes de começar a história... deve ser menos estressante.

Você precisa escrever em um ambiente silencioso ou quando bate a inspiração não importa o lugar?
Vanessa: Eu preciso de silêncio. Minha mente é muito rápida e se tiver barulho, eu não consigo escutá-la.

De todos os seus livros (publicados ou não) qual é aquele que você tem um carinho maior?
Vanessa: Eu sou perdidamente apaixonada por Senhor do Amanhã.

Costuma reler seus livros depois de pronto?
Vanessa: Não leio de jeito nenhum! Senão eu corto os pulsos! Hahahahahaha.

Escrever no Brasil infelizmente não e tão fácil, conte-nos como foi a sua jornada para conseguir editoras e publicar seus livros.
Vanessa: Hoje no Brasil, se você tem grana para investir, tudo é possível. E foi assim comigo e está sendo assim com a maioria dos novos autores nacionais. Não é desmérito algum investir nos seus sonhos, mas, é algo que pode dar muito errado. Isso porque as editoras estão publicando qualquer coisa e acaba por manchar a imagem de autores talentosos que não encontraram outros meios de publicar suas obras. Assunto complexo esse.

O que você acha dos blogs literários e das redes sociais? Ajuda mesmo na divulgação?
Vanessa: Eu amo os blogs e sou parceira de vários. É a melhor ferramenta de divulgação que autores em início de carreira podem conseguir. Se não fossem os blogs, eu não teria atingido a visibilidade que tenho hoje.

Qual seu autor favorito, e qual livro você não se cansa de reler?
Vanessa: J.J. Benítez é o meu preferido. E eu sinceramente não gosto de reler livros. Acho que nunca reli nada.

Tem algum novo projeto no forno? Se sim, pode adiantar alguma coisa para gente?
Vanessa: Tenho dois projetos batendo a massa. Nenhum deles está pronto para ir ao forno.

Como é a escolha das capas dos seus livros? É você quem escolher? (sou apaixonada pela capa de O Elemental).
Vanessa: O Elemental é tudo de bom! Você tem bom gosto! Hehehehehehehe.
O processo de criação das capas funciona assim: Eu passo para o André (Era Eclipse) a sinopse do livro, um resumo da história, dou uma pincelada no protagonista e conto algo importante que acontece no livro. Com base nessas informações, o André monta uma prévia da capa e vamos discutindo em cima disso. Mas vou falar uma coisa: O André é fera! Aliás, acho que ele é vidente, porque consegue ler meus pensamentos com exatidão. Quando recebo as capas, aprovo praticamente na hora.

Que dica você daria para os novos escritores?
Vanessa: Leiam muito. Quem não lê, não consegue escrever. E ter em mente os tópicos abaixo é sempre de grande valia:
  • Paciência
  • Perseverança
  • Disciplina
Rapidinhas:
Uma cor: Verde
Uma pessoa: Minha filha
Uma música: With or Without You        
Um livro: Campo de Batalha Terra
Um filme: De Volta para o Futuro
Um lugar: Paraty
Um sonho: Morar na praia e ter uma biblioteca gigantesca com um mesanino repleto de livros

Quer deixar um recado para os leitores do blog?
Vanessa: Eu gostaria de convidar a todos para o lançamento de O IMORTAL e SENHOR DO AMANHÃ (Ed. Dracaena) que vai acontecer no dia 18/11/2011, às 20 horas, na Paraler do Ribeirão Shopping. E também gostaria de avisar que POSSUÍDA será publicado em 2012, provavelmente no início do ano. Ainda não fechei com a editora.

Juh, super obrigada por esse espaço. É uma delícia poder estar tão próxima dos leitores! E para quem quiser bater um papo, estou sempre no twitter: @vanbosso.
***

Van, eu que agradeço pela sua simpatia e disponibilidade em responder as minhas perguntas, te desejo muito sucesso sempre!! 

Se você curtiu a entrevista não esqueça de comentar, em breve resenha de O imortal e Senhor do Amanhã.
Beijos :) 
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2 de junho de 2011

Entrevistando: Loraine Pivatto

Oi gente!
Trago hoje para vocês uma super entrevista com a querida Loraine Pivatto, autora do livro Perseguição Digital, cuja resenha você pode conferir aqui. Eu AMO esse livro, sem dúvidas é um dos meus favoritos.
A entrevista esta ótima, vale a pena ler até o final, de quebra conheceremos a sinopse de seu novo livro!

Loraine é gaúcha, nasceu e vive em Porto Alegre. Graduada em Informática pela PUCRS e pós-graduada em Análise de Sistemas nesta mesma Universidade, trabalha há mais de dez anos na área de Tecnologia da Informação, como Administradora de Banco de Dados. 
Seu livro foi lançado pela Editora Novos Peregrinos no dia 24/06/2009.
Loraine pode ser encontrada nas seguintes redes socias:

Primeiramente quero agradecer a Loraine por responder a todas essas perguntinhas =)

Quando você percebeu que queria ser escritora?
Oi, Juh! É engraçado, pois eu nunca tinha pensado em ser escritora. Sempre tive facilidade em me expressar através da escrita, mas escrever um livro não fazia parte dos meus planos. Até que surgiu a história do Perseguição Digital na minha cabeça, e o que começou como uma brincadeira, acabou ganhando proporções maiores e se transformou num livro.

Quando criança qual era sua brincadeira favorita?
Eu era uma criança agitada e não tinha muita paciência para ficar brincando de boneca. Gostava de jogos. Adorava jogar vôlei e qualquer brincadeira que envolvesse bola.

Como surgiu a idéia para o livro Perseguição Digital? Joana foi inspirada em alguém de verdade?
A ideia para a historia surgiu através do meu contato com a Informática. Existem programas que servem para dar suporte remoto aos usuários, monitorando os procedimentos que a pessoa efetua no seu computador e, inclusive, tomando conta da máquina para eventuais correções. A tela do usuário é capturada (com o seu consentimento, é claro) e o técnico pode examinar o que está sendo feito. E foi pensando nisso, que tive a ideia da historia. Fiquei imaginando como uma pessoa com conhecimentos mais avançados, e mal intencionada, poderia invadir a privacidade de outra e rastrear suas informações, através dos recursos tecnológicos disponíveis. Meu objetivo principal foi mostrar aos usuários desavisados como suas privacidades podem ser invadidas ao fornecerem informações na internet, informações essas aparentemente irrelevantes, mas que podem lhes causar muita dor de cabeça. Há muito texto técnico sobre programas e recursos computacionais, o que nem sempre oferece uma leitura atraente, então decidi explorar esse assunto numa linguagem romanceada, contando a história de uma mulher que se utiliza da tecnologia para seguir os passos do seu amado. Precisava de um motivo, e que motivo maior do que uma mulher abandonada e ferida? rsrsrs
Assim surgiu a Joana, que na verdade não tinha a intenção de prejudicar ninguém, mas sim, um forte motivo para rastrear a vida daquele homem que tanto amava. Quis criar uma mulher forte, batalhadora e inteligente, que de uma hora para outra vê o seu mundo literalmente desabar. Ela simplesmente não se conforma com o rompimento com Fernando e não quer virar a página e partir para outra, sem antes entender o que de fato havia acontecido. A Joana não foi baseada em ninguém em específico, mas uma mescla de características de personalidades que observo. Posso dizer que é parecida comigo, no sentido que é uma mulher teimosa, com dificuldade em aceitar a perda, mas Joana ultrapassa os limites do bom senso e se torna obcecada. Na verdade, vive um momento doloroso, pois se descobre sem prazer pela vida, depois que o relacionamento com Fernando termina. Já conheci pessoas assim, sem muitos objetivos pessoais, que acabaram vivendo em função de uma relação, e com o rompimento, foram ao fundo do poço, e tiveram muita dificuldade em reagir e encontrar alegria em outras coisas. Me baseei um pouquinho em cada uma dessas observações e criei a Joana. Quis fugir do estereótipo de mocinha e mostrar uma pessoa real, que chegava a ser irritante muitas vezes, por não conseguir enxergar que a vida é bem mais do que o mundinho obcecado de sofrimento que ela havia construído. Joana mostra altos e baixos, o que deixa o leitor agoniado. Confesso que isso foi proposital, pois não acredito nessas historias em que, de uma hora pra outra, a pessoa percebe que está errada e muda tudo, num estalar de dedos. Acho que a mudança é difícil, sofrida e lenta, e que por mais que tenhamos compreensão do que precisa ser mudado, há uma forte tendência a voltarmos aos esquemas de comportamento conhecidos, mesmo que prejudiciais.

Como foi e quanto tempo durou o processo de escrita e publicação?
O processo de escrita levou em torno de seis meses, já a publicação, é difícil mensurar. No início encaminhei a algumas editoras e aguardei. Muitas não deram resposta nenhuma. Quando eu ligava, diziam que a historia ainda não tinha sido lida/avaliada. Algumas, (acho que duas ou no máximo três), responderam meses depois dizendo que no momento o livro não se enquadrava no perfil editorial. Acabei desanimando e o livro foi engavetado, mas aquele gostinho de escrever permaneceu e a vontade de continuar escrevendo outras historias foi crescendo. Anos depois, surgiu uma oportunidade com uma editora de Porto Alegre, a Novos Peregrinos, que me deu o assessoramento em todo o processo de publicação: revisão ortográfica, registro na Biblioteca Nacional, ISBN, etc, e também a noite de lançamento, na livraria Cultura. Foi assim que, finalmente, meu filhinho nasceu rsrsrs

Você é graduada em Informática e pós-graduada em Sistemas de Informação, sempre quis ter essa formação?
Não. Foi uma decisão tomada aos 17 anos, quando conclui o segundo grau. Não tinha nenhuma vocação latente e estava na hora de prestar vestibular, então como gostava da área de exatas e o pouco contato que tinha tido com computadores havia me interessado, optei por Informática. Posso dizer que dei sorte, pois é uma boa área para trabalhar, com um mercado em ascensão e muitas oportunidades de emprego.

Quais são os seus autores favoritos?
Ai Juh, agora você me pegou rsrsrs Gosto de vários. Adoro a narrativa poética e ao mesmo tempo sensata da Martha Medeiros. As descrições envolventes e emocionantes do Khaled Hosseini, em O caçador de pipas, um dos meus livros preferidos. Também gosto muito do Dan Brown e o Harlam Coben, com suas historias eletrizantes, que me prenderam de forma a não conseguir parar de ler. Na verdade, gosto de todo autor que tem habilidade de segurar o leitor, fazendo-o desejar virar a página para saber o que vai acontecer com o personagem, e também que conte uma historia emocionante e que me faça suspirar.

Um filme que você não cansa de assistir?
Não sou de repetir filme, mas acho que o filme que mais vi na minha vida foi Ghost. Já deve ter passado dezenas de vezes naquelas sessões da Globo, das tardes de sábado, e sempre que ligo a televisão e está passando, paro para ver rsrsrs   Sou romântica e, mesmo já tendo visto muitas vezes, ainda dou umas choramingadas rsrsrsrs

Você já tem outros livros preparados?
Sim, Juh. Terminei o meu segundo livro, que está sendo encaminhado às editoras para avaliação. Desta vez, procurei me profissionalizar, então durante todo o ano passado, tive a assessoria do James McSill, um consultor literário internacional (http://www.mcsill.net) que me ensinou a estruturar e escrever o texto dentro dos padrões editoriais mais avançados. O título provisório é “Preto no Branco”, mas como falei, ainda está sendo analisado por algumas editoras, então não tenho a menor ideia de quando será lançado. O que posso fazer é dar uma palhinha para vocês, com uma breve sinopse ;-)

"A cada nova flor no jardim, um novo perfume na vitrine. Márcia, a terceira flor da família De Angelis e uma das herdeiras da maior empresa brasileira de perfumaria e cosméticos, teria seguido os preceitos familiares, se não fosse por uma dolorosa revelação em sua infância.  Obrigada a abandonar precocemente a ingenuidade e o romantismo, e compreender que criar expectativas sobre alguém e depender do seu amor é o melhor caminho para a frustração e o sofrimento, a menina romântica tornou-se uma mulher prática, forte e sagaz. Dona de um caráter irrefutável, confiante, bela e sedutora, Márcia aprendeu a lidar habilmente com os homens, preenchendo o seu tempo com muito prazer e diversão, sem jamais se entregar a um relacionamento que não lhe oferecesse garantias. Sabia que o casamento dos avós, sua referência de felicidade, era uma raridade praticamente em extinção nos tempos atuais, mas nem por isso se submeteria a uma relação frustrada, por acomodação, medo ou insegurança. Se fosse para amar, teria que ser um amor completo, sem sombras da hipocrisia que tanto criticava a sua volta. Mas, nessa busca pela verdade, Márcia acaba por se deparar com surpreendentes revelações sobre a sua família e descobre que entre o preto e o branco há uma infinidade de matizes."

Essa é básica rs... Que conselho você daria para novos escritores?
Gente, o mais importante eu acho que é a vontade em querer aprender sempre. Ler muito. Ouvir opiniões de pessoas que já traçaram o mesmo caminho. Não desanimar com as dificuldades, que são grandes. Ter humildade para aceitar críticas e dar sempre o melhor de si, tentando oferecer ao leitor textos prazerosos, que lhe proporcionem momentos agradáveis.

Rapidinhas:
Uma cor: Amarelo
Uma pessoa: Minha mãe        
Uma música: Como nossos pais           
Um livro: O Caçador de Pipas
Um lugar: Praia
Um sonho: Conseguir escrever cada vez melhor. Ser livre, dona do meu tempo, podendo
fazer somente o que mais gosto, sem me preocupar com questões financeiras.

Quer deixar algum recado para o pessoal?
Gente, a entrevista foi muito bacana, a fofa da Juh diz que não é entrevistadora, mas fez perguntas bem inteligentes. Adorei! Agradeço muito o espaço aqui no blog e também o carinho que tenho recebido. Como já disse, o meu maior sonho é conseguir escrever cada vez melhor, historias gostosas e emocionantes que proporcionem um excelente entretenimento aos leitores e também, se possível, tragam alguma mensagem bacana. Queria convidar a todos que lessem Perseguição Digital e meus próximos livros que virão pela frente, e que continuem me dando suas opiniões, pois são essenciais para a melhoria do meu trabalho.
Estou enviando dois exemplares do Perseguição Digital para serem sorteados aqui no blog, e desejo sorte a todos que participarem. Mas, aos que não ganharem, aviso que o livro está com um custo bem acessível nas livrarias Cultura, Saraiva e Cameron. Sugiro pesquisa de preço, pois há sites oferecendo excelentes descontos, como o Silociano, por exemplo (http://www.silociano.com.br).  Também está a venda no site da Editora Parêntese (http://www.parentese.com.br).  
Para quem gosta de ler, fica a dica de presente para o dia dos namorados: uma história moderna e emocionante, que une paixão e tecnologia.

Loraine, mais uma vez obrigada por sua disponibilidade e simpatia! Adorei as suas respostas! Estou super ansiosa para ler o seu próximo livro!


E vocês, o que acharam da entrevista?
Não deixem de comentar bastante! Em breve super promoção para vocês! 
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1 de março de 2011

Entrevistando: Laura Elias


Laura Maria Elias nasceu em Barra Mansa estado do Rio de Janeiro em 1960. Apaixonada por livros, começou ainda criança a rabiscar as primeiras linhas. Cursou Economia, é autora de sucessos como "Crepúsculo Vermelho" e "Lua  Negra", da saga "Red Kings"




Oi Pessoas, hoje inauguro uma nova coluna, a "Entrevistando", e a convidada para inaugurar essa coluna é Laura Elias, a escritora de Crepúsculo Vermelho e Lua Negra (além de trinta outros títulos). Laura é extremamente simpática e acessível, e aceitou responder a todas as perguntas.
Espero que vocês gostem da entrevista e leiam tudinho rs...


Quando você descobriu que queria ser escritora? E qual foi o primeiro livro que você escreveu?
Laura: Esta é uma pergunta que toda vez que eu respondo, fico surpresa, acredita? Eu NUNCA pensei que seria escritora. Apesar de vir de uma família de leitores e escrever desde bem nova, nunca me passou pela cabeça que um dia isso viraria profissão. Acho que sempre fui muito crítica com tudo que fiz e como escritores, pra mim, eram "super-heróis", eu não me achava competente o suficiente pra escrever um livro. Depois de fazer 36 isso parece piada, mas ainda me surpreende. (risos)
Fiz o primeiro livro com 14 anos. Uma aventura policial que envolvia uma galera do colégio. Eu estava na oitava série, então já viu, né? Escrevi sobre a minha realidade.

Quanto tempo em média você demora para finalizar um livro?
Laura: Depende. Os da série Red Kings foram 2 a 3 meses, mas já passei dois anos fazendo 2 ou 3 livros por mês. Muitas vezes levava 1 semana pra cada um.

Quais são os seus autores favoritos?
Laura: São muitos, leio de tudo que você possa imaginar. Tenho predileção por alguns como o Neil Gaiman, Jane Austen, Irving Wallace, Morris West, Agatha Christie. Brasileiros sou fã de carteirinha o Machado de Assis, mas na fase realista, a fase romântica não gosto. Outros que aprecio são Guimarães Rosa, José Lins do Rêgo e Érico Veríssimo. Li estes autores brasileiros desde muito novinha e eles tiveram muita influência sobre minha maneira de escrever, cada um de uma forma diferente. Leio muito livro científico também, principalmente sobre Física. Adoro o Michio Kaku e o Isaac Asimov.

Tem algum livro que você não cansa de reler?
Laura: Orgulho e Preconceito, da Jane Austen e o Memórias Póstumas do Machado de Assis. E aí, você acha que a Capitu traiu o Bentinho ou ele que era louco mesmo?

Conte-nos um pouco como foi a criação da saga Red Kings. De onde veio a inspiração para escrever sobre vampiros?
Laura: Eu recebi o projeto da editora para escrever esta saga com os dois pés atrás. Nunca fui muito apaixonada por vampiros e nunca tinha escrito para adolescentes. Meus outros livros são bem adultos com temáticas diferentes e fiquei meio sem saber se conseguiria encontrar o tom correto para o livro. Daí fui ler a saga da Meyer pra saber do que se tratava e assistir a alguns filmes de vampiros pra entrar no clima, entende? Acabou que eu não quis colocar nada de caixão, fedor e cemitério na história, quis criar uma coisa mais moderna, com uma protagonista fiel a idade que tem, mas com atitude, que fosse mais real, menos alienada da vida. E um "mocinho" que tivesse pegada, né? Aí veio a idéia da música como um personagem, dando o clima, sussurrando idéias além do texto na cabeça do leitor. Acho que ficou legal, né?

Como é o processo de escrita e publicação?
Laura: Posso falar do meu processo, cada autor tem o seu, né? Eu preciso "cozinhar" a coisa um pouco, deixo a idéia do livro passeando na cabeça e espero pra ver o que vai aparecer (risos). Depois faço um rascunhão, uma geral da história com os personagens principais e alguns caminhos que a trama vai seguir. Aí começo a escrever. Muitas vezes estou no capítulo V e pinta uma cena completa que vai acontecer no capítulo X. Aí paro e escrevo tudo em outro arquivo. É meio doido assim mesmo. As vezes apago trechos inteiros e escrevo outra coisa, dou uma parada pra um café e um cigarro (é, sou politicamente incorreta, eu fumo..rs.) e volto pro texto com outras idéias na cabeça. Inspiração é uma coisa totalmente maluca, ela vem em ondas e daí pára do nada e depois volta. E eu vou escrevendo ao sabor das ondas que ela faz.
Depois de terminar o texto, ele vai para a editora que o revisa (ou não, como foi o caso do Crepúsculo Vermelho que saiu cheio de erros para minha tristeza) e editora, ou seja, coloca o livro no formato que tem que ser para rodar na gráfica. Tem uma questão de paginação por cadernos e fora isso tem o processo de registro do texto na BN e do pedido de ISBN, que são aqueles números que aparecem sobre o código de barras no verso do livro. Há também a interferência do editor no texto, o pedido de rever certos trechos, mudá-los, encurtá-los, alongá-los, enfim...(risos). Muita gente acha que escreveu, está pronto, mas isso é um grande engano. Muitas vezes alterações são feitas por insistência do editor e normalmente os títulos são alterados. As editoras colocam nomes que acham que são mais impactantes e eu nem sempre concordo com elas. Tem muito livro cujo título foi estragado pela editora.

Como foi a escolha da capa e a revisão do texto? Você pode opinar ou teve que acatar as decisões da editora?
Laura: No Crepúsculo Vermelho não escolhi nada. Eu havia entregado o texto em Julho e em Novembro recebi um mail dizendo que o livro havia saído. Não  me consultaram pra nada. Quando recebi meus exemplares e vi a edição, chorei de desgosto, mas aí já tinha ido né? O Lua Negra a revisão ficou mais limpa, mas também não passou por aprovação comigo. A capa não foi a que eu gostaria que fosse, mas mantiveram alguns parâmetros, só que acabaram mudando os olhos do Bill e deixando meio puxados pra parecer com o menino do Crepúsculo.
Os dois que saem agora em Fevereiro/Março eu revi o texto da revisora e palpitei nas capas, embora também não goste deste tipo de imagem apelativa, acho que dava pra suavizar um pouco, mas ao menos fui consultada.

O que você acha das comparações de seu livro com a saga Crepúsculo de Stephenie Meyer?
Laura: Acho que são inevitáveis, uma vez que os títulos dos livros são tão parecidos. Eu não ligo pra isso, não. Sei quem sou como escritora, tenho 30 livros publicados e mais outros na fila, não tem porque me aborrecer com isso. Eu queria outros títulos para os livros, mas o editor mudou e aí não tem como não comparar ou achar que são "cola" da Meyer. Isso só muda quando a pessoa lê os livros. Tanto que no primeiro, que é a apresentação dos personagens e da estrutura da trama, quase nem tem vampiros clássicos, né?

O terceiro livro da saga Red Kings já esta pronto? Qual a previsão de lançamento?
Laura: Está pronto, mas sem data de lançamento. Isso agora está na mão da Mythos, não faço idéia do que vai rolar.

Qual o conselho que você daria para novos escritores?
Laura: Sou meio ruim em dar conselhos, mas eu diria o seguinte: leia MUITO sobre TUDO. Abra a cabeça, informe-se, seja antenado com o que rola no mundo em geral. Preste atenção ao que está lendo, ao estilo dos autores, a maneira como constroem seus textos. E observe a vida, as pessoas, as situações sem julgar. Apenas observe para aprender. E não tenha pressa, as coisas nem sempre acontecem no ritmo que a gente gostaria, mas elas acontecem com dedicação, flexibilidade e bom senso. Ainda mais neste ramo, tem que ter muita paciência. (risos)

Como você vê a questão da pirataria? Já passou por isso?
Laura: Já passei e ainda passo. Meus livros estão pirateados pela net toda. Não me incomoda, mas incomoda à editora. Uma coisa é você piratear um livro esgotado, ou publicar algo de domínio público, outra é piratear algo que ainda está sendo vendido. Isso dá processo. Pessoalmente, acho que se o povo está pirateando é porque o livro é legal, ninguém vai digitalizar uma coisa ruim, né? E sempre tem quem compre, quem vai atrás, quem quer ter o livro pra si, então não ligo.
Já recebi muito e-mail de leitores indignados, que denunciavam blogs e sites que digitalizaram os livros, mas nunca comuniquei à editora nem fiz conta. Deixa rolar. Isso faz parte do mundo digital e não creio que seja algo que alguém vá ser capaz de coibir, vem com o pacote da comunicação instantânea.

Quer deixar algum recado para o pessoal?
Laura: Eu quero agradecer à galera que teve paciência de ler até aqui e também convidar todo mundo pra conhecer meu site e blogs, passear por lá e deixar um recado, que é sempre bom demais de ler. Agradecer também à você, sua gentileza e simpatia comigo e a abertura que me proporcionou junto ao pessoal do seu blog. E vou abusar e deixar um pedido: leiam autores brasileiros! Tem tanta gente boa no mercado que vale a pena ser lida, conhecida e divulgada! São vocês, os leitores, que impulsionam as editoras a colocarem a mão na massa e darem vez aos autores brasileiros. Vamos parar de pagar royalties e deixar nossos reais circulando por aqui, né? O país agradece. Beijo carinhoso pra todo mundo.


Muito obrigada Laura, por ser tão sincera nas respostas. Esclarecendo algumas duvidas que creio, muita gente tinha.
Muito sucesso nos novos livros, pode ter certeza que lerei os dois ^^

Para quem quiser conferir as resenhas dos livros de Laura Elias aqui no Livros e blablablá, é só clicar nos títulos abaixo:

Beijocas enormes, e não deixem de comentar *-*
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Juliana Sutti