27 de setembro de 2013

O palácio da meia-noite - Carlos Ruiz Zafón

Trilogia da Névoa #2
Autor: Carlos Ruiz Zafón                       

Editora: Suma de Letras 
Número de páginas: 271
Avaliação: 

O palácio da meia-noite é o segundo livro da Trilogia da Névoa, mas pode com certeza ser lido fora de ordem, já que não é continuação do 1º volume, O Príncipe da Névoa. Acredito que a semelhança se dê pelo fato de novamente um grupo de crianças serem protagonistas e por elas enfrentarem algo sinistro e repleto de mistérios, mas confesso que não sei se esse é o elo de ligação entre os livros que o autor imaginou.

Em 1916 um homem coloca sua vida em risco para salvar dois bebês gêmeos, recém-nascidos. Ele faz de tudo para conseguir entregar as crianças em segurança para a avó, e quando finalmente consegue acaba morrendo. A avó dos bebês, Aryami Bosé, sabe que as crianças - Ben e Sheere - não podem permanecer juntas. Sendo assim, ela entrega Ben a um orfanato e sai pelo mundo com a garota Sheere. 

Ben é um garoto destemido e divertido, no orfanato onde vive ele tem os melhores amigos do mundo. Juntos eles formam a Chowbar Society, um grupo que se reúne todas as noites no Palácio da Meia-Noite e que cuidam uns dos outros como verdadeiros irmãos. No entanto, quando um jovem completa 16 anos é considerado pela sociedade um adulto, e deve abandonar o orfanato. Ben está prestes a completar 16 anos, e na última reunião da Chowbar Society eles conhecem Sheere que acaba se tornando membro do grupo.

Acontece, que o perigo que rondava Ben e Sheere quando era apenas bebês está de volta, um espirito maligno com sede vingança. Com a ajuda dos membros da Chowbar Society, Ben e Sheere vão mergulhar em diversas histórias do passado e enfrentar o temido Pássaro de Fogo.
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Zafón é um mestre, sou fã de seus livros (ainda que não tenha lido todos). Essa trilogia é considerada infantojuvenil, mas já ficou claro que pessoas de todas as idades se identificam com a narrativa de Zafón. 

A história é narrada por Ian, um dos membros da Chowbar Society, muitos anos depois do acontecido em 1932. Ele relata seu ponto de vista pessoal sobre os fatos em alguns momentos durante a narrativa, mas a maior parte do livro é narrada em terceira pessoa. Amei essa estratégia, achei muito bacana o narrador não ser Ben ou Sheere. Gostei também de o cenário ser diferente do que Zafón normalmente usa, a história dessa vez se passa em Calcutá, na Índia

A amizade entre as crianças é encantadora, como eles foram criados sem pai e mãe, os membros da Chowbar Society se tornam uma família, e são capazes de darem suas vidas pelo bem estar do outro. Eles temem o perigo, mas ainda assim vão se esforçar ao máximo para proteger Ben e Sheere.

O clima da trama é pesado e um tanto quanto macabro. Como é comum nos livros de Carlos Ruiz Zafón, as coisas não são exatamente o que parecem, e só vamos descobrir o sentido de tudo no final. Confesso que, apesar da aventura empolgante, O Palácio da Meia-Noite não me prendeu tanto quanto O Príncipe da Névoa, não gostei muito do final. Foi como se Zafón não tivesse pensado muito para escrever o final, eu esperava mais, por isso dou quatro estrelas

Entretanto, apesar de não ter exatamente gostado do final, isso não tira o brilhantismo inegável da escrita de Zafón. O Palácio da Meia-Noite é um livro bem escrito e cheio de reviravoltas, recomendo sem sobra de dúvidas. Estou ansiosa para ler As Luzes de Setembro, o terceiro e último volume da trilogia que será lançado pela Suma de Letras em outubro!

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Juliana Sutti